sábado, 18 de outubro de 2008

O TEMPO NA AREIA:ottogribel.blogspot.com

Ao se discorrer sobre os Castelos medievais, que ficaram presos ao imaginário popular, numa bolha de abstração da memória, que liga algo que marcou de forma indelével a memória da grande maioria das pessoas, graças à paixão dos artistas e poetas e escritores que o promoveram na imprensa, na propaganda da época.
Os castelos medievais, tal qual o visualizamos como fenômenos, somente estão assentados, fundados no idílico ideário popular elaborado pelos artistas, que o propagaram, e revelaram ao sentido básico da civilização, que é o olhar, o olhar dos escritores que os trouxeram à tona à percepção narrando histórias, celebrando em cantos e versos (cantos mudos no papel), elevando essa percepção ao máximo requinte.
Os castelos como tais são como todo e qualquer conhecimento humano, fundados na imaginação, aliados á memória e à visão do objeto no espaço deslocado na curva do tempo historial. Jamais é real ou ciência, como o querem os cientistas e todos os argumentadores, mas apenas objeto de locuções variadas : narração, dissertação, descrição.
Depois do advento da artilharia bélica, do canhão, os Castelos medievais passaram de fortalezas a alvos enormes e fixos. É o tempo modificando pela mão do homem o espaço e as pedras que estão dispostas em redor do espaço sobre a forma de torres, muralhas e ameias dos castelos.
O castelo imaginado e guardado na memória não é o mesmo castelo posicionado no mundo real : esse é um conflito entre mundo real ou natural : existência e mundo imaginário ou abstrato, na memória, no pensamento e na percepção : mundo do ser.
Os castelos se originam dos castros ( a palavra castelo é diminutivo de castro); portanto, quando se festeja o castelo ( evoco os " Campos de Castilla " trazida para o meio dos signos pelo poeta espanhol Antônio Machado! Bela obra de poesia refinada, relicário ), o castllo aos olhos do imaginário sequioso de emoções, nada mais temos plantado na realidade que uma parte da realidade, uma parte do real, do que existe (existe lá fora é redundância); essa porção da realidade é o ser que o pensamento e a percepção humanas formam junto à cultura, á história, à vida política, social, econômica e psíquica.
Esse ser percebido e conceituado é uma junção de percepções e concepções e se desgarram um pouco da realidade, na perspectiva da cultura de onde é avistado ( no olho da própria cultura é visto de uma forma e com determinado conteúdo experiencial, enquanto no olhar de outra cultura , que não viveu à sombra do castelo a percepção está mais ligada ao imaginário que à historia e à terra de onde brotou o castelo ).
O ser é uma coesão de realidades múltiplas, uma costura dessas realidades através da mente e pela mão do homem, sendo a mente a ciência e a mão a indústria, enfim, a manufatura que, depois, estendido o braço em ferramentas, aparelhos e tecnologias as mais variegadas, torna-se a tecnologia. A mente se transforma em ciência, na primeira indústria e depois em tecnologia .
Pousar o olhar no castro, que é uma estrutura onde estão, dentro de uma paliçada, casas em forma circulares, de pedra e com o teto coberto de olmo, e, posteriormente, no castelo, cuja torre, que lembra a forma das casas que constituem o castro, é chegar à "etimologia" de pedra e forma do castelo, que se inicia como cidade incipiente, uma espécie de aldeia de pedras da antiguidade e depois toma a forma de torre, de onde se origina o castelo.
A história do castelo diverge da ficção do castelo dos contos de fadas e da história imaginada na torre e nas pedras do castelo, bem como da história oficial ou as teorias imaginosas e racionalistas de muitos historiadores e poetas e escritores ou pintores.
Donde pode-se depreender que a história não é única ou unívoca como querem alguns senhores feudais donos dos castelos de verdades próprias, personalíssima, quando a realidade somente pode ser construída por muito olhos, muitas mãos : mãos à obra!
O castelo que temos construído na mente é o que abriga o ser que somos.
O castelo edificado dentro da mente não corresponde ao de fora, no tempo na intempérie, desprotegido da caixa craniana e da blindagem da idéia, que não pode ser apedrejada enquanto não sair do cérebro pela via dos signos ou símbolos que a exprimam.
O castelo medieval são areias no tempo, areia que se esboroa na memória e de realidade se transforma em indústria de sonhos, tipo um sonho-Disney.

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